O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto."
[ Martha Medeiros ]
"Relacionamentos são feitos para dar certo. Ninguém quer ser infeliz numa relação a dois. Não há sentido em dividir a vida com outra pessoa sem que isso traga felicidade.
Devemos encontrar nos braços de quem amamos o nosso refúgio e porto seguro, a nossa cura para todo e qualquer mal, a resposta para todas as dúvidas e aflições da vida.
Mas um relacionamento não vive apenas de primaveras. Os invernos também fazem parte do caminho. Mas, ainda assim, não há motivos para desanimar, pois após a geleira e a tormenta, sempre haverá a magnitude e majestade da estação mais bela dentre todas.
Infelizmente, há pessoas que não sabem disso, ou se sabem não aceitam como verdade, e acabam pondo fim ao seu relacionamento em decorrência de uma briga ou desentendimento, o que é uma bobagem, pois eventuais conflitos são inerentes a qualquer relação amorosa.
Toda história de duas pessoas que se amam tem altos e baixos. Assim, não se pode deixar tudo a perder em razão de pequenos atritos, que são acidentes que ocorrem ao longo do percurso, e, como tal, efêmeros e plenamente superáveis.
Não se pode abandonar todo um castelo por causa apenas de uma pequena rachadura na parede. Basta um pequeno reparo na sua estrutura para que tudo volte ao normal. A solidez de um castelo de sonhos não se perde em razão de pequenos abalos.
É compreensivo que no calor de uma discussão ou de uma decepção passe a idéia de terminar o relacionamento, de se afastar para não sofrer mais, não se machucar. Nessas horas, maldizemos a pessoa que amamos e ficamos cegos, pois deixamos que as lágrimas cubram os nossos olhos.
Mas, após a briga, devemos colocar a cabeça no travesseiro, enxugar as lágrimas e lembrar de tudo que já vivemos a dois. Os beijos, abraços, afagos, as noites de amor, as brincadeiras, as vezes que choramos juntos, e cada pequeno pedaço da nossa história com aquela pessoa.
No momento em que tudo isso passa pela nossa mente, como se fosse um filme, reconhecemos que temos a nossa parcela de culpa, que realmente erramos, e então ligamos pedindo desculpas, reconhecendo que a discussão ocorrida é muito pequena diante da plenitude de nosso amor, do sentimento puro e verdadeiro dentro do nosso coração.
Ao invés de deixarmos ecoar em nossos ouvidos as palavras ditas com tom ríspido durante a discussão, devemos recordar das declarações de amor, das palavras bonitas, dos sussurros ao pé do ouvido, das cartas de amor, das músicas preferidas, dos jantares românticos, dos dias dos namorados, dos aniversários de namoro e de casamento, das viagens inesquecíveis, das noites de prazer, das horas loucas vividas a dois, da contagem das estrelas, das luas cheias e de todas as vezes que esquecemos do mundo durante um beijo.
Quando brigamos, somos levados a pensar que desperdiçamos anos de nossa vida com aquela pessoa, que perdemos tanto tempo com alguém que não merecia a nossa atenção. Mas, por outro lado, temos que considerar os anos de atenção que nos foi dedicado pela pessoa que amamos, a sua abnegação, entrega e desprendimento, e tantas provas de amor que recebemos ao longo dos anos.
Assim, se você está vivendo uma crise no seu relacionamento, se está brigado com quem você ama, não deixe que uma pequena rachadura na parede faça ruir todo o castelo construído em tanto tempo. Renuncie um pouco o seu orgulho e o seu ego, reconheça a sua parcela de culpa, e resgate o seu castelo de sonhos."
(Alex Murad – advogado)


