"E que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo". Caio F. Abreu
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Now playing: Los Hermanos - O Vento
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Vai fazer um ano que eu te deixei, isso mesmo que EU te deixei, mas vou ser sincera não sei se foi uma das melhores coisas que fiz na Vida não. Quando se toma uma decisão é porque você tem certeza do que está fazendo e sabe as conseqüências (não é isso que os adultos falam?!), mas você não viu que eu agi por impulso, pela raiva do momento?! Olhando para trás e vendo que você não fez nada, absolutamente NADA para eu voltar atrás, nenhuma palavra em vão me deixando fazer aquela loucura de ir embora sem mais nem menos, me faz crer que você queria que fosse assim mesmo o fim do nosso romance. E você assinou confirmando mais ainda o que eu já sabia, quando não apareceu no meu aniversário, me deixando a espera de um telefonema, SMS, scrap ou mesmo a doce ilusão de você aparecer com o cabelo molhado de quem tinha acabado de tomar banho, a trança bagunçada, o chinelo menor que o seu pé, o short que nunca fecha direito, alguma camiseta que você já usou várias vezes comigo, o perfume importado do seu pai e no carro tocando a nossa música (O Vento – Los Hermanos), nem que fosse só pra me dar um abraço e ir embora. O que mais me magoou foi que até o seu melhor amigo compareceu e você não, e quando perguntaram por você me limitei a responder –Tá trabalhando! assim curta e grossa, arranjando uma desculpa esfarrapada para mim mesma, para esclarecer sua falta no momento que eu mais queria a sua presença.
Quando nos encontramos no Chez nessa noite, depois de 13 dias que eu tinha virado as costas para você, eu nem sei descrever o meu sentimento por ti. Um misto de nervoso, tontura, dores de cabeça, falta de ar e tremedeira, estava passando mal literalmente pelo simples fato de te olhar, me lembro como se fosse hoje, já estava achando que ao invés de curtir a festa eu ia era parar no hospital. Ao falar contigo lá dentro na fila do caixa -Oi! Dois beijinhos e um tchau. Você me fala que estava sabendo que Batata estava no meu aniversário e que tinha até ficado com raiva dele por ele estar lá e não ter ido em sua casa, CASA?! Ah... quando essa palavra ecoou na minha cabeça pronto a raiva tomou conta do meu corpo, eu nem se quer dei tchau para você, simplesmente te deixei lá, fui embora pra onde as minhas amigas. Porra você tava em CASA o tempo TODO e eu querendo me enganar que estavas trabalhando?! Não sei dizer se fiquei com raiva de você por não ter aparecido ou d’eu querendo me iludir, sinceramente. E mais uma vez deixei você sem nenhuma explicação. Parece até que você estava se acostumando com essas minhas atitudes, porque como sempre você não ia atrás de mim procurar por respostar mais concretas do que te deixar falando sozinho. Mas como eu já tinha te falado desde o início eu sou de conversar e não deixar a distância resolver as coisas, fui atrás de você depois de exatamente um mês, para colocar tudo na mesa e esclarecer alguns pontos de interrogação que estavam na minha cabeça.
E depois desse tempo todo nós já ficamos pelo meio do caminho, comprovando que eu ainda te queria para mim e agi de cabeça quente naquele dia. Mas ao longo dessa caminhada sem você eu fui falando repetidas vezes que foi melhor assim, que você não me faz bem, me levou para o mau caminho e eu decidir dar meia volta e voltar para a placa onde me dava duas opções novamente para seguir a minha Vida. Agora sim depois de saber umas coisas que você andou falando, posso encher o peito e dizer que sei o que quero de você (NADA) sem me arrepender, sabendo as conseqüências (de não te ter) como um adulto. Só que as vezes quando me vejo só, escutando Los Hermanos não tem como meu pensamento não vagar de encontro as tuas lembranças. Você deixou marcado um pedacinho do meu coração com doces saudades de uma vida louca contigo, não tem jeito.
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A raposa calou-se e observou muito tempo o príncipe:
– Por favor, cativa-me! disse ela.
– Eu até gostaria – disse o principezinho – mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.
– Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.
– É preciso ser paciente – respondeu a raposa
– Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva.
Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada.
A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.
Mas cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
– Teria sido melhor se voltasses à mesma hora – disse a raposa.
– Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz! Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
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